O Objeto quádruplo
July 4, 2011
The Portuguese translation of The Quadruple Object is underway:
“Em vez de começar com a dúvida radical, nós iniciamos com ingenuidade. O que a filosofia compartilha com as vidas de cientistas, banqueiros e animais é que todos se ocupam de objetos. O significado exato de “objeto” será desenvolvido em seguida, e deve incluir aquelas entidades que não são nem físicas, nem reais. Juntamente com diamantes, corda e nêutrons, objetos podem incluir exércitos, monstros, círculos redondos e ligas de nações reais ou ficcionais. A ontologia deve dar conta de todos esses objetos e não simplesmente denunciá-los ou reduzi-los a nulidades desprezíveis. Contudo, não obstante as afirmações tanto de amigos quanto dos críticos da minha obra, eu jamais defendi que todos os objetos são “igualmente reais”. Pois é falso que os dragões tenham realidade autônoma do mesmo modo que um poste de telefone. Minha proposição não é que todos os objetos são igualmente reais, mas que são todos igualmente objetos. É apenas no contexto de uma teoria mais ampla, que responda igualmente pelo real e pelo irreal, que fadas, ninfas e utopias devem ser tratadas nos mesmos termos de botes e átomos. Se esta abordagem faz lembrar a alguns leitores das teorias austríacas dos objetos em fins do século XIX (Twardowski, Meinong, Husserl), pelo menos duas importantes diferenças aparecerão no decorrer deste livro: (1) em meu modelo, os objetos possuem uma estrutura quádrupla tomada de Heidegger; (2) eu trato as relações causais entre objetos não humanos da mesmo forma que a percepção humana deles. Mas deve-se notar que não adoto a distinção de Heidegger entre “objeto” (que ele usa negativamente) e “coisa” (que ele usa positivamente). A palavra “objeto” adquire, na Escola de Brentano, um poder generalizador valioso demais para ser sacrificado aos rituais cúlticos da terminologia heideggeriana.
A história da filosofia já testemunhou numerosas teorias de objetos individuais. Começando com a primeira substância de Aristóteles, essas teorias nos conduzem através das mônadas leibnizianas, das já mencionadas teorias austríacas de Husserl e seus rivais e da “coisa” quádrupla de Heidegger. Apesar de minha admiração por esses valorosos antecessores, este livro não almeja uma síntese, mas sim uma nova metafísica capaz de falar de todos os objetos e das relações perceptuais e causais nas quais eles se envolvem. Rejeitando a obsessão pós-kantiana com um único intervalo relacional (relational gap) entre pessoas e objetos, sustento que a interação entre o algodão e o fogo encontra-se no mesmo plano da interação humana com algodão e fogo.”